Sobre

Mãe

Um comercial com temática voltada para o Dia das Mães tem circulado nas redes sociais, com conteúdo muito interesse. A propaganda, em resumo, simula espécie de tribunal para julgamento de mães, as que trabalham fora, as que ficam em casa para cuidar da prole, as que dão chupeta, as que proíbem telas. Enfim, tudo aquilo que vivenciamos no dia a dia.

Parece que, nos últimos tempos, além do martírio inerente à figura materna, as críticas a qualquer comportamento da genitora em relação a seus filhos têm triplicado.

Sou mãe de apenas uma cria e, vez por outra, policio-me para não chamar de doidas as amigas que têm três ou mais. A escolha é pessoal, mas, por influência da sociedade, pego-me replicando discursos sobre natalidade com os quais, diga-se de passagem, nem concordo.

A verdade é que aos olhos de quem está de fora é sempre insuficiente, dois ainda é incompleto, três é muito, quatro, impensável. Não ter filhos é um pecado mortal, uma afronta à sociedade.

A liberdade sobre corpo e comportamento feminino continua sendo falsa, pois, todos os dias, são exigidas de nós, posturas muitas vezes contrárias às nossas escolhas. No final, nos tornamos reféns de padrões e pressupostos ditados não se sabe por quem.

Que dificuldade ser mulher! Feminista, então… Por isso, há dias em que me cansa a armadura, mas é o único traje que me resta.

Escrito por Clarisse Tavares

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