Últimas histórias

  • Sábado à noite

    Ouço as conversas ao redor, meus olhos disparam por todo o ambiente, os pensamentos vagam enquanto rio das piadas e balanço o corpo no ritmo da música. As percepções se sucedem. A bela mulher que passa derramando olhares. O homem branco levemente constrangido com a informalidade local. A negra linda exibindo orgulhosa suas raízes afro. O músico que se anima tanto com a performance que espanta o cansaço e vibra energia. A atendente do balcão com o sorriso forçado congelado nos lábios a repetir insinceras delicadezas. O turista que fala alto na mesa ao lado para se fazer notar. O casal barbudo que aparenta estar em lua de mel. A não tão jovem senhorita que tenta sem jeito se sentir à vontade. Respondo animada ao cumprimento de uma amiga querida que o dia-a-dia afastou do convívio, escuto as novidades de filhos e netos, repetimos perguntas já feitas algum dia enquanto dançamos e fazemos selfies. Outras amigas se juntam, o alarido de vozes não esconde a alegria do momento nem da banda que interpreta boa parte da trilha sonora de nossa existência. Peço um espetinho à garçonete sempre tão gentil e que parece não esquecer as poucas vezes em que estivemos ali. Meus companheiros à mesa conversam e dançam e gravam vídeos como a imortalizar um momento prazeroso. A chuva forte não estraga a alegria da noite entre bares, caminhadas, bebidas estranhas e sonoras gargalhadas. A vida é boa. Celebremos.

  • Todas as Mulheres

    Todas as Mulheres

    Todas as mulheres do mundo pode até ser nome de filme e série, mas é algo muito sério quando a gente pensa que todas nós sofremos apenas por ser mulher.

    Todas as mulheres em mim estão cansadas, diz a poeta afro-americana Nayirrah Waheed. Estamos mesmo. Cansadas de violência, de abuso, do desrespeito, de cagarem regras por nós e para nós, de julgamentos, de opressão, de sentir medo, de assédio, de trabalho doméstico, de acharem que não somos capazes, da imensa carga mental que é ser mulher.

    Todas as mulheres do mundo vivem em mim e há dias em que é difícil demais levantar. Há outros em que é quase impossível dormir.

    Todos os dias.

    Todas as mulheres.

    Tudo em mim.

  • Até quando esperar?

    Covid. Dengue. Zika. Chikugunya. Fome. Malária. Hepatite. Desrespeito. Desemprego. Falta de empatia. Abusos. Asfixia. Corrupção. Aumentos. Inflação. Sucateamento. Descaso. Desamor. Ameaças. Ataques. Tiros. Ciladas. Chacinas. Destruição. Perda de direitos. Invasão. Milícias. Estupros. Violência. Caos. Necropolítica. Aporofobia. Racismo. Homofobia. Misoginia. Feminicídios. Intolerância. Mentiras. Miséria. Abandono. Câmaras de gás. Genocídio. Fake News. Desencanto. Desesperança.

    Se ainda não mataram o Brasil, lamento informar que falta pouco.

    E, confesso, estou se não como o Brasil, doente de Brasil.

    Todos os dias ataques a instituições e mais e maiores rasgos numa constituição espancada, sangrada e espezinhada.

    Todos os dias um Jesus morto. Seja um Genivaldo, os que padre Júlio tenta alimentar ou os tantos que encontramos nas ruas e calçadas.

    Todos os dias um tapa na cara e uma porrada no estômago.

    Cada vez mais difícil respirar.

    A dor é tão intensa que ninguém reage. Ou será que é isso que todos querem mesmo? Zumbis?

    Estamos vivendo, fingindo ou apenas esperando algo que nem sei mais se vem.

    Era sabido e anunciado que esse desgoverno ia ser difícil, mas não se imaginava que muitos que pensávamos bons, instituições que achávamos que funcionavam, categorias que… Silêncio, omissão e conivência.

    Todos os dias um tapa na cara e uma porrada no estômago.

    Até quando esperar?

    Como tentar se manter são nesse descalabro?

    Como deixar de ser uma plebe rude e néscia?

    Ainda existe um gigante para acordar? Ou ele também já está morto e não ficamos sabendo?

  • Invernada

    De Natal a Baraúna, passando por Mossoró, São Rafael, Assú e mais um bocado de cidades no meio do caminho, muita chuva e uma vegetação verdejante. Os garrotes tudo gordinho, como diria meu sogro, agricultor calejado e aposentado há um bom par de anos. Nuvens de todos os tamanhos, calibres e cores. Formas também, já que eu passo boa parte da viagem olhando pro céu. O sol se insinua em alguns momentos e se deixa adivinhar pela mudança na paleta celeste. Carneirinhos se transformam em coelhos que viram porcos, jacarés e unicórnios antes que mudem para verdadeiros temporais. O som dos trovões se sobrepõe ao rock que sai do celular. Eparrê! Saúdo mentalmente pedindo proteção à Iansã enquanto cruzamos o estado e os desafios. Nas paradas para refeições e uso do banheiro, alguns alongamentos tentam minimizar as dores que com certeza virão. Reuniões de trabalho se sucedem aos encontros com amigos. Ou seria o contrário? Bom conhecer pessoas novas, melhor ainda é rever quem gostamos, tomar cerveja, rir desbragadamente, cantar a plenos pulmões, se entregar a abraços. As conversas se atropelam e os assuntos ficam inconclusos como se a aguardar o próximo encontro. Poucas horas de sono, mais estrada e a vontade de chegar num novo lugar. Gosto de correr campo, falar com gente, conhecer histórias. Um sentimento de esperança é percebido junto com a certeza de um bom inverno pro sertanejo. Tempo bom de plantar pra colher na primavera. Pelas minhas andanças, o que mais se planta é o desejo de um amanhã melhor. E eu sinceramente espero que a água das chuvas lave as ruas, almas e mágoas e desemboque num futuro que já vivi. E ainda me lembro.

  • Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô…

    A voz de Jorge Ben – sou dessa época – ressoa na minha cabeça me lembrando que em fevereiro tem carnaval. Se for sincera, diria que ecoa em todo meu corpo. É, exatamente o que você imaginou, a minha carne é de carnaval.

    E, se os tempos não deixam que, assim como Moraes Moreira, “eu viro toca, eu viro moita”, me conformo em virar a foliã do bloco do “ensaia, mas não sai” ou do “eu sozinha” mesmo. As sombrinhas de frevo se juntam às máscaras de papelão colorido e aos colares havaianos enfeitando as paredes do terraço e trazendo um alento à minha alma foliã.

    “Sonhei que estava em Pernambuco/Fiquei maluco/Quando o frevo passou/Mas, quando estava no melhor da festa/Ora, esta alguém me despertou…”. Sei que é clichê, mas nada define melhor minhas últimas aventuras no reino de Morfeu do que o frevo de Antônio Nóbrega.

    Penso em Carnaval e as velhas marchinhas, sambas, frevos e maracatus invadem minha mente. A memória se atropela, subo e desço ladeiras, canto com blocos líricos, me impressiono e divirto com a criatividade das fantasias e adereços, pulso com a energia que vem do chão num mar de gente.

    Não vai ser neste ano que vou cantar “Voltei Recife”, mas a saudade que me pega pelo braço e pernas vai tentar se resignar com mais um ano de espera e de pequenas reuniões ao som das melodias que acalantam minha alma foliã. Porque Carnaval que se preze e se escreve com o C maiúsculo é festa popular e alegria de um povo.

    E já que hoje não tem clarins de Momo aclamando com todo ardor, fica a reverência dos que sabem bem ao que brindam quando gritam Evoé!  “E viva o Zé Pereira/Pois a ninguém faz mal/E viva a bebedeira/Nos dias de Carnaval”.

    Viva o Zé Pereira. E viva o Carnaval!

  • Nem Alice, nem maravilha

    Que princesas que nada, o personagem da literatura infantil com o qual sempre me identifiquei é o coelho, da Alice. Principalmente depois que cresci. “Ai, ai! Ai, ai! Vou chegar atrasado demais!”. A frase que desencadeia toda a maratona no país das maravilhas, me persegue há anos. Bom, pelo menos desde que assumi essa tal de vida adulta.

    Trabalho, casa, menino, marido, cachorro, jardim, papagaio… Falando assim pode até parecer exagero, mas se coloque no lugar de uma mãe/dona de casa/trabalhadora que você vai ver que eu não estou brincando. Fico até de boca aberta quando a mulher no caso tem mais de um filho.

    Gente, é quase insano dar conta de tanta coisa e ser boa nisso. Caprichar no almocinho, comprar as roupas da família – tá bom: lavá-las, passa-las e remendá-las também -, acompanhar as lições da escola, limpar e arrumar a casa, cuidar do jardim, ser uma profissional eficiente, uma companheira dedicada e mãe presente. Ah, e ainda tem que manter a boa estampa.

    Ok. Algumas têm ajuda de diaristas, mães, filhos e até companheiros. Outras de nós nem ligam tanto assim para tudo isso. Ainda há as que jamais saberão quem foi Amélia. Existem também as que se colocam naturalmente no papel. Confesso meu esforço e que não sou me saio lá essas maravilhas.

    “Estou atrasado! Estou atrasado!”. A voz do coelho ecoa no momento em que abro os olhos. E assim que consigo calar a vontade de virar pro lado e não fazer nada, começo a planejar o dia. Pelo menos rascunhá-lo. Nunca fui muito boa com planos mesmo. Me sinto meio Cebolinha…

    Mas, aí já é outra história.

  • Esperançar

    O som do tatibitate infantil, cantigas e risadas que entram pela janela mostram que as férias chegaram trazendo as netas dos vizinhos para uma temporada que parece estar sendo divertida. Sei que são duas meninas, uma com seus 3 anos e outra mais bebezinha. Do meu quarto, enquanto escrevo, acompanho as tão conhecidas brincadeiras de infância e inspiro fundo quando a memória chega com uma avalanche de lembranças e me levam à criança que ainda vive dentro de mim, mas que andava meio escondida nos últimos tempos.

    Ninguém aqui está dizendo que a vida é fácil, mas – vamos combinar – que os últimos anos têm cobrado um preço altíssimo à saúde mental de todos. Bom, pelo menos àquela parcela da sociedade que se preocupa com o entorno, com o local em que vive, as pessoas ao redor. Sinceramente, não consigo ignorar a miséria que avança, desemprego, precarização, perdas de direitos, negacionismo.

    A criança que ainda sou continua se entristecendo diante das desigualdades, se emocionando com a miséria, se indignando com descaso e casuísmos políticos. Sim, sempre fui solidária e tentei me colocar no lugar dos outros. Nunca fui indiferente à dor e sofrimentos alheios e costumo fazer o possível para de alguma forma ajudar, seja com um abraço, um auxílio financeiro, um prato de comida, uma roupa usada, um sapato, divulgando alguma iniciativa, fazendo uma vaquinha, lutando por direitos e contra abusos.

    Quem pensa que as coisas caem do céu não tem a menor ideia de quantos caíram presos e mortos e machucados na luta por direitos hoje considerados até chatos, como a obrigação de votar e escolher os nossos representantes ao invés de aceitarmos a indicação de apaniguados da ditadura. Ou com a exigência de concurso público para cargos e funções públicas que antes só eram ocupados por parentes e amigos do rei.

    Educação pública e gratuita, Sistema Único de Saúde, estabilidade do servidor público concursado, eleições diretas, direitos trabalhistas, salário mínimo com correção anual, regularização profissional, entre outras tantas coisas, são fruto da pressão de movimentos sindicais e populares. São conquistas e não dádivas. Que precisam melhorar, ser aperfeiçoadas, precisam. Arregacemos as mangas, a luta é constante.

    Se menciono tudo isso é porque a criança que mora em mim sempre sonhou com a igualdade social. E continua sonhando. A voz do povo chileno cantando num vídeo que circula por aí me levou às lágrimas porque me reconheci no canto e na esperança. “De pie, luchar/Que vamos va a triunfar/Avanzan ya/Banderas de unidad/Y tú vendrás/Marchando junto a mí/Y así verás/Tu canto y tu bandera florecer…”.

    O final do ano não é o final dos tempos, como diria o Drummond. Que seja, então, um começar de novo, onde, apesar dos que aí estão, há de ser outro dia. Um dia em que sonharemos juntos com um país melhor e mais justo.  E o faremos assim.

  • Maria

    Mal amanhecia, lá ia Maria em sua faina diária. Mulata sestrosa, pés e mãos um tanto quanto toscos, venta larga e um sorriso que tirava qualquer um do sério. Sem contar com a bunda, imponente qual tanajura e de fazer inveja a certas melancias.

    Tinha orgulho do corpo porque era dele que tirava seu sustento. Não que fosse dada a prazeres e dinheiro fáceis. Era lavadeira e também trabalhava como diarista. Dessa lida saía o sustento seu e de seus filhos.

    Após andar um bom par de léguas, pegar dois ônibus lotados e novamente caminhar, Maria chegou ao seu trabalho do dia. Uma pilha de roupa suja esperava a ela e ao sabão. Depois ao ferro.

    “Vixe, dessa vez o povo exagerou”, pensava, enquanto em voz alta perguntava à patroa tão Maria quanto ela, mas que preferia ser chamada pelo correspondente estrangeiro:

    – Teve festa, dona Mary?

    – Não, só umas visitinhas de parentes.

    Enquanto separava os panos de prato, guardanapos e toalhas de mesa sujas de molho de tomate e gordura para colocar de molho, Maria pensava nos acepipes que deviam ter servido para deixar tanta coisa suja.

    Gostava de comida. De comer e de fazer pratos diferentes. Que ninguém viesse com o arroz e feijão de todo dia porque aí só saía arroz e feijão mesmo, junto com um ovinho, que ninguém é de ferro.

    Quando era mais nova, não sabia cozinhar quase nada. Era arroz e ovo, ovo e arroz, arroz com ovo… lembrou ela, se rindo ao pensar nas crianças de que tinha cuidado e que não comiam outra coisa dia após dia por pura falta de habilidade culinária dela.

    Hoje não, já se aventurava entre as panelas. Aprendera por causa dos filhos. Gostava de repetir em casa o que via e comia na casa de quem prestava serviço. Nada muito chique, mas dava para sair um creme de galinha ou mesmo um estrogonofe de carne.

    Ser mãe tinha virado a vida dela cabeça pra baixo. Ou seria pra cima?  Engravidara muito jovem, de uma aventura que não dera certo. Conheceu um rapaz bonito, aceitou convite para sair e depois de algumas bebidas a que não estava acostumada, fora deixada num motel desacordada. O sortilégio resultou num varão.

    A gravidez fora bem aceita pela mãe, também Maria, e pela patroa da época. O menino nasceu sadio e deu início a uma nova fase na vida dela. Agora, já não era sozinha.

    Desde menina aprendera a ganhar a vida na casa dos outros, pensava assim que um dia conseguiria ter sua própria casa. Sempre creu que o sonho não era vão. E não foi. Casou, teve outros filhos, ficou viúva, comprou a casa. Vieram os netos, sua alegria. A aposentadoria não tardou e Maria hoje se dá ao luxo de só cuidar dos seus.

  • Home sweet office

    A escrivaninha ao lado da cama me faz lembrar logo que acordo que produzir é preciso. Atualizar blog, escrever textos para a Papangu na Rede, preparar projetos, terminar uns cursos… É, eu que sempre estive por aí, fui trazida pra casa pela pandemia. Primeiro na versão tupiniquim de lockdown e depois pela perda do emprego. Após um necessário descanso e de muita  reavaliações e projeções e prospecção de desejos, aqui estou: “home sweet office”.

    Se bem que nem tudo é sweet assim. Aprender a administrar seu tempo e suas “personas” é imperativo. Mas, como se chatear por ser interrompida no meio de um texto por uma mãe que acabou de chegar de sua recém-matriculada academia de musculação? Ou pelo filho que também está às voltas com aulas online e vem contar a última da turma, da net, dos jogos? Falar o que para o companheiro que pede opinião sobre o mais novo quadro ou texto?

    Se comparar direitinho, parece bastante com qualquer escritório em que existam colegas de trabalho, as interrupções, ou melhor, as interações fazem parte. A não ser, claro, que você seja o chefão e peça para ninguém incomodar.

    Com a diferença, claro, que na rua eu não ando de pijama. Tenho a impressão de que a maior parte de minhas roupas e sapatos acredita que eu morri. Sei de pessoas que começaram a se arrumar, se produzir, até para deixar o lixo na calçada, ir ao supermercado. Eu? Cortei um bocado de calças para garantir o estoque de shorts. Algumas blusas também passaram por alterações e perderam golas e mangas. Os saltos altos aguardam as poucas ocasiões a que me permito usá-los.

    A parte que atrapalha mesmo nesse tal de home office é quando a casa exige que você dê atenção. Parar uma pesquisa para passar o aspirador ou colocar roupa no varal ou molhar as plantas. Deixar o blog sem atualizações porque é dia das compras mensais ou o almoço mais elaborado. Se perder numa crônica por motivo de filho com fome. Acontece.

    Brinco com Túlio que esse tal de home office só é bom para gente solteira e sem filhos ou para homens casados que não precisam dar um prego numa barra de sabão. Ele ri, se lembrando das delícias e agruras de trabalhar em casa já há mais de 14 anos.

    No Twitter, como que se ouvindo meus pensamentos, Jozimar Júnior e Mário Ivo enaltecem as maravilhas do trabalho “doméstico”. Das vantagens em fazer seu horário ao acesso ao próprio acervo, biblioteca, ferramentas.

    É, estou me acostumando. A parte do cochilo depois do almoço é fantástica. E nem falo em usar meu próprio banheiro sempre que necessário. Uma bênção.  Parar mais cedo porque já atingiu seus objetivos do dia ou porque nada deu certo mesmo e o melhor é assistir a um filminho ou abrir um vinho, contemplar o pôr do sol…

    E, se organizar direitinho, todo mundo tra… balha.

  • Novo livro de Falves Silva viaja no diálogo sem fronteiras da Arte Postal

    Por Ana Cadengue

    “Pintor surrealista em 1966, poeta/processo a partir de 1967, em apenas dez anos de atividades experimentais no interior de uma forte especulação (anti)literária, conseguiu se firmar como um dos maiores produtores contraculturais brasileiros do momento. Seus poemas e sua lucidez crítica e produtiva colocam-se no centro da vanguarda a mais militante possível”.

    O texto de Moacy Cirne, acima, destaca um pouco da importante trajetória de Francisco Alves Silva, o artista gráfico, plástico e experimental Falves Silva, um dos precursores do movimento Poema/Processo.

    Da revolução poética dos anos 1960, com suas contestações ideológicas e experimentalismos estéticos até os dias de hoje, muita arte já passou por debaixo da ponte, mas – nem por isso – tirou de Falves sua inquietação artística que sempre desabrocha em instigantes provocações.

    Em seu novo projeto, o livro “Bam! Arte Postal”, Falves nos convida a viajar num diálogo sem fronteiras, no qual envelopes, telegramas, selos e carimbos postais são suportes para o contato entre artistas.

    “Este livro é dedicado aos amigos com os quais mantive uma correspondência produtiva por mais de três décadas, durante os anos 70, 80, 90 até a virada do século XX”, explica Falves no site Catarse, onde o projeto aguarda captação de recursos.  https://www.catarse.me/falves_silva?ref=project_link%20

    Um dos artistas precursores do movimento Poema/Processo, ao lado de nomes como Moacyr Cirne, Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá e Neide Sá, participando em 1967 de seu manifesto inaugural, Falves Silva, a partir da década de 1980, se associa à rede internacional de Arte Postal, mantendo-se em intenso e profícuo diálogo com artistas de distintas gerações e nacionalidades, dentre os quais Jota Medeiros, Ivald Granato, Leonhard Frank Duch, Paulo Bruscky, Hudinilson Jr, Clemente Padín, Edgardo Antonio Vigo, Ulises Carrión e Horácio Zabala. Tem seus trabalhos exibidos na International mail art exhibition, Tóquio, Japão, em 1984, e na II Bienal de Arte Correio, Espanha, em 1999. Mais recentemente, o artista teve sua exposição individual “Círculo do Tempo”, retrospectiva de sua carreira, apresentada no Centro Cultural São Paulo.

    A produção de Falves Silva pode ser pensada como uma convergência de dois dos principais eixos da arte brasileira: os movimentos concretos e a arte conceitual. O artista dialoga com a literatura, o cinema e a história em quadrinhos; manipulando estruturas comunicativas e imagens da história da arte e da comunicação de massa, Falves Silva cria sua obra diversificando a abordagem e o tratamento dos materiais que elegeu.

    Com 154 páginas, capa e projeto gráfico do próprio Falves Silva e editado pela Gajeiro Curió, o livro “Bam! Arte Postal” nos leva a um diálogo sem fronteiras, uma arte livre de preconceitos estéticos, moral ou filosófico, com reprodução de textos em Português, Espanhol, Italiano, Francês e Inglês.

    Descrição do livro

    formato: 150 x 210 mm

    páginas: 154

    projeto gráfico: Falves Silva

    capa: Falves Silva

    editor: Gajeiro Curió, por Oreny Júnior

    diagramação: José Aglio Neto


    Campanha até 02/12/2021

    Para R$ 50 ou maisLivro impresso

    livro impresso: BAM! – Arte Postal.
    a ser retirado no local do lançamento do livro (sebo Gajeiro Curió, no Mercado Cultural de Petrópolis, Natal RN.

    Para moradores de outras cidades enviaremos por correios.Entrega prevista:dez/20215 apoiosPara R$ 100 ou mais02 livros impressos de Falves Silva

    BAM! Arte Postal + 12×9+n=y de Falves Silva.

    a ser retirado no local do lançamento do livro (sebo Gajeiro Curió, no Mercado Cultural de Petrópolis, Natal RN.

    Para moradores de outras cidades enviaremos por correios.Entrega prevista:dez/20213 apoiosPara R$ 30 ou mais03 Zines Históricos – Arquivo Digital

    03 zines – em formato digital (pdf) a ser enviado para o seu e-mail.

    Primoroso escaneamento e tratamento digital de três zines de autoria de Falves Silva direto para o seu e-mail. Entrega prevista:dez/20210 apoioPeríodo de campanha13/10/2021 – 02/12/2021 (50 dias)