Últimas histórias

  • Democracia, funk, vacina e forró

    Este mês, a colunista vai dar vez à advogada porque, diante das coisas malucas que acontecem neste País, às vezes ela aflora com mais veemência.

    Em pleno carnaval que não aconteceu, o Supremo Tribunal Federal (STF), por intermédio do ministro Alexandre de Moraes, expede mandado de prisão contra o deputado federal Daniel Silveira, depois de ele publicar um vídeo fazendo ofensas inimagináveis aos integrantes da Suprema Corte e, principalmente, defendendo a volta do regime militar. Dois dias depois, em uma sessão extraordinária, o STF inteiro ratifica a decisão monocrática de Moraes, usando como principal argumento a defesa da democracia.

    Sem dúvidas, as palavras ditas pelo parlamentar são graves, ferem os princípios delimitados pela Constituição e, com toda certeza, deve haver punição rigorosa em relação a isso, mas a prisão em flagrante não tem respaldo jurídico, não tem lógica nem sentido e pode abrir precedentes perigosos que não se justificam nem quando o motivo é a salvaguarda do Regime Democrático de Direito.

    Se você não faltou às aulas de história, com certeza lembra da frase baseada nos ideais iluministas, atribuída por alguns a Voltaire: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. A liberdade de expressão é garantia da ordem constitucional, e serve inclusive para proteger àquele que não quer que ela vigore.

    Do meu ponto de vista, a prisão é ilegal, mas as atitudes do parlamentar também não podem ficar impunes. Contudo, os limites da punição e as consequências devem ser estabelecidos pelo Congresso que, segundo a Carta Magna, é que detém esse poder. Legislativo, Executivo e Judiciário tem que seguir a regra do funk carioca, “cada um no seu quadro,/ cada um no seu quadro”.

    Para terminar, vou deixar a colunista que gosta de conversar miolo de pote, como diria Cid Augusto, assumir e dizer que, vacina que é bom, nada! Pelo visto, além de carnaval, vamos ficar sem São João de novo. E, para uma Assuense apaixonada por festejos juninos, isso é mesmo que arrancar uma tira de couro das costas.

  • Ano novo, minha gente!

    Embora não veja diferença entre números pares ou ímpares, 2021 é ímpar. Algumas pessoas nutrem nesses reinícios, novos sentimentos, novos projetos, novos rumos. Não discordo, mas gostaria de lembrar que as verdadeiras mudanças partem de nós mesmos. Então, se você acha que a vida precisa de mudança, não espere nem o virar deste minuto para agir.

    Mudando de pau pra cacete…

    A primeira semana do ano chegou tinindo, e eu começo os comentários pela revolta do presidente dos Estados Unidos, quase ex, Donald Trump, com a derrota nas eleições para o democrata Joe Biden. Inconformado com a escolha dos americanos – Você está demitido! –, o republicano usou as redes sociais para incentivar um ataque ao Capitólio, sede do Poder Legislativo naquele país, no dia em que Congresso homologaria a vitória do oponente. O fato causou uma confusão imensa, mas não impediu a certificação do resultado do processo eleitoral.

    Aproveitando o assunto, quero deixar registrado que, mesmo sendo considerado primeiro mundo, só agora, depois de 237 anos de República, o Tio Sam terá uma mulher ocupando o cargo de vice-presidente. Ela se chama Kamala Harris, negra, advogada, com estilo mega descolado e, segundo dizem, supercompetente.

    Harris chega a esse posto alimentando a esperança de que nós, mulheres, teremos algum dia o destaque merecido. Não a conheço, ela nunca saberá dos meus pensamentos e desejos para ela, mas torço para que o espaço que vai ocupar sirva para muitas outras coisas, principalmente incentivar as lutas femininas.

    Já no Brasil, temos o presidente Bolsonaro, que, embora vitorioso nas últimas eleições, questiona a lisura das apurações e continua a espalhar sandices e mediocridades por aí. O maluco insinuou que quem tomar vacina contra a Covid-19 pode virar jacaré, mas pediu o sigilo de sua carteira de vacinação por cem anos, alegando ser esse um assunto de cunho pessoal.

    Então, vou deixar a interpretação para a galera.

    Em contraponto, a ciência nacional, mesmo renegada, negligenciada e desacreditada a todo instante, produziu uma vacina com 78% de eficácia para casos leves e 100% para casos graves.

    E no último domingo, 17 de janeiro, ironicamente, a primeira pessoa foi vacinada nas terras tupiniquins. Sem dúvida, o maior sonho da humanidade, atualmente, é o fim da pandemia…

    Bom, pelo menos esse é o meu sonho e, como a coluna é minha, falo o que quero.
    Voltando aos surtos do presidente, Bolsonaro atacou o apresentador do Jornal Nacional, Wiliam Bonner, por reproduzir informações fornecidas pelo próprio governo relacionadas à suspensão da compra de seringas. Pra complementar, exige o retorno do voto na cédula de papel, sob pena de fazer pior que Donald Trump.
    Quanto às ameaças do presidente, essa, infelizmente, é a postura do homem que o brasileiro escolheu para ser chefe do Executivo. Só posso dizer que, por muito menos, Dilma Roussef sofreu impeachment.

    Despeço-me dizendo a vocês que, mesmo começando com mensagens motivacionais para depois entupir o texto com os problemas do mundo, acredito em dias melhores, até porque a vacina chegou e eu já tô com o “bumbum tam tam” esperando essa danada.

  • PAPANGU DE RAÇA OU VIRA-LATA?

    Em um dos nossos tantos encontros etílicos, chega-me Túlio Ratto com a proposta:
    — Galega, topa escrever uma coluna na Papangu?

    Confesso que no primeiro momento tomei um susto, porque eu só conhecia a Papangu pelas narrativas das reviravoltas provocadas no High Society mossoroense contadas por Túlio Ratto, Cid Augusto e companhia. Por isso, sei da responsabilidade que é falar mal ou elogiar pessoas e atitudes com a categoria papaguense. Mas, como me chamaram, atendi prontamente e disse:

    — Eis-me aqui!

    Passei algumas horas pensando sobre o que escrever nesta coluna e lembrei que, ao me convidar, o Ratto autorizou a falar sobre o que ou quem eu quiser, dizendo ele, ter advogado. Aproveitou inclusive para reforçar que, dependendo do que vier por aí, os trabalhos jurídicos vão bombar com a ressureição da revista mais polêmica do Estado.
    Voltando aos escritos, minha primeira saída foi procurar no dicionário o que significa oficialmente a palavra “papangu”: sujeito que come angu e meninos de máscara que ficam pelas ruas pedindo ajuda para seus blocos de carnaval. Esta, aliás, é uma tradição mossoroense. Todo ano tem papangu nos sinais de trânsito da cidade.

    Descobri então que sempre usei o termo da forma errada, já que disponho dessa palavra para descrever quase todas as pessoas – dependendo da entonação é que se sabe se a comparação com os mascarados de rua é boa ou ruim. Se bem que se olhar para minha cara, já se sabe o que eu quero dizer, porque geralmente a expressão acompanha o sentimento. Então, cheguei a duas conclusões. A primeira é que só é papangu de verdade aquele que tem pedigree emitido por Túlio Ratto e Ana Cadengue. A segunda é que se o cidadão não tem o selo oficial de papanguense nem é um daqueles meninos que andam nas ruas durante o carnaval, é um papangu sem raça, vira-lata mesmo, fazendo jus ao termo como sempre usei. E quero dizer que, a partir de agora, sou oficialmente uma papangu de raça, titularizada e muito orgulhosa de fazer parte deste time.