Últimas histórias

  • Movimentação

    Eita, minha gente, depois de um mês sem aparecer nesta coluna, tô aqui de novo pra gente falar das coisas.

    E pra começo de conversa, quero lembrar a todo mundo que já pode, que tá na hora de correr para tomar a vacina contra a covid-19, e também contra a influenza. Tenho visto muita publicidade, principalmente do governo estadual, fazendo apelo à população para procurar os postos de saúde e cumprir com a meta de vacinação. A covid-19 tem nos assustados, mas não podemos relaxar com as outras doenças que também circulam por ai.

    Ainda dentro da pauta da vacinação, quero externar toda minha alegria em ver tantos dos meus já recebendo pelo menos a primeira dose de esperança. Meus pais, meus sogros e meu velhinho e companheiro de vida já estão nessa cota.

    Mesmo com o avanço na vacinação não vamos deixar os cuidados de lado, tá galera? Máscara, distanciamento, álcool em gel, isso têm preservado muitas vidas. Enquanto não tem imunizante para todo mundo, manter a disciplina sanitária é fundamental.

    Mudando de pau pra cacete…

    A eleição para presidência OAB começou a engrenar.

    Tem gente se articulando, pedindo voto, engatinhando na campanha e fazendo pesquisa. De uma forma meio incoerente, mas tá.

    E digo incoerente porque estes dias, um grupo intitulado “OAB que Queremos” me mandou mensagem via WhatsApp perguntando saber se eu aceitava responder um questionário sobre os desafios da advocacia no vale do Assú e eu topei.

    Depois de duas perguntas nesse contexto, o interrogatório descamba para saber quem era meu candidato a presidente e por quê. Embora eu tenha respondido, pois meu voto é declarado, achei a abordagem no mínimo esquisita, já que não tinha nada de questões profissionais a serem avaliadas, era só intuito eleitoreiro mesmo. Acredito que se precisam perguntar ou falar alguma coisa, a verdade é um bom começo.

    Aproveitando o ensejo, vou logo declarar meu voto aqui, para ninguém vir mais aperrear. Se permanecer candidato, Aldo Medeiros é a escolha na disputa estadual. Ele tem feito uma gestão competente e agradável. Permanecer com o bom trabalho é necessário. Para presidente da subseccional de Assú, estou com doutor João Fonseca, meu amigo, parceiro de trabalho e gente boa.

    Então, meu povo, era isso que eu tinha para contar por ora. Se aparecer mais coisa para soltar, corro pra cá de novo, já que o editor da revista dá cabimento e deixa a gente publicar o que quer, na hora que quer.

  • Metáforas

    Os últimos dias têm sido difíceis. Muitas pessoas morrendo, outras precisando de emprego, algumas apenas de amparo, de afago.

    O mundo enfrenta momentos complicados. Até o príncipe da Inglaterra – ou seria ex? – disse em entrevista a Oprah Winfrey que deixou de receber salário da monarquia britânica porque rompeu laços com a família em protesto contra o racismo da realeza para com sua mulher e filhos.

    Todos carregam fardos, travam batalhas. Por isso, tratarmo-nos com cuidado é essencial.
    O que o planeta enfrenta hoje, com crises sanitárias, financeiras, é, na verdade, um chamado, um alerta, um pedido para que os indivíduos percebam que precisamos mesmo é de humanidade, enxergar as pessoas além daquilo que vemos.

    Hoje, lutamos com larga desvantagem contra um adversário invisível. Talvez por não temos armas suficientes, ainda, o inimigo parece ficar mais potente a cada dia, enquanto nós, carentes daquele olhar humano, acolhedor, parecemos estar na contramão.
    Pode parecer que não tem nada a ver, mas, se voltarmos ao assunto da família real britânica, dá para perceber bem.

    Em pleno século XXI, uma pessoa abdica da condição de príncipe porque foi comunicado que seus filhos não poderiam receber títulos de nobreza por serem filhos de uma mulher negra e, possivelmente, nasceriam negros também.

    Diante de tamanho absurdo, se você não percebe por que o mundo precisa de renovação, provavelmente você nunca vai perceber o pote de ouro no final de arco-íris.

    Clarisse Tavares é advogada

  • Democracia, funk, vacina e forró

    Este mês, a colunista vai dar vez à advogada porque, diante das coisas malucas que acontecem neste País, às vezes ela aflora com mais veemência.

    Em pleno carnaval que não aconteceu, o Supremo Tribunal Federal (STF), por intermédio do ministro Alexandre de Moraes, expede mandado de prisão contra o deputado federal Daniel Silveira, depois de ele publicar um vídeo fazendo ofensas inimagináveis aos integrantes da Suprema Corte e, principalmente, defendendo a volta do regime militar. Dois dias depois, em uma sessão extraordinária, o STF inteiro ratifica a decisão monocrática de Moraes, usando como principal argumento a defesa da democracia.

    Sem dúvidas, as palavras ditas pelo parlamentar são graves, ferem os princípios delimitados pela Constituição e, com toda certeza, deve haver punição rigorosa em relação a isso, mas a prisão em flagrante não tem respaldo jurídico, não tem lógica nem sentido e pode abrir precedentes perigosos que não se justificam nem quando o motivo é a salvaguarda do Regime Democrático de Direito.

    Se você não faltou às aulas de história, com certeza lembra da frase baseada nos ideais iluministas, atribuída por alguns a Voltaire: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. A liberdade de expressão é garantia da ordem constitucional, e serve inclusive para proteger àquele que não quer que ela vigore.

    Do meu ponto de vista, a prisão é ilegal, mas as atitudes do parlamentar também não podem ficar impunes. Contudo, os limites da punição e as consequências devem ser estabelecidos pelo Congresso que, segundo a Carta Magna, é que detém esse poder. Legislativo, Executivo e Judiciário tem que seguir a regra do funk carioca, “cada um no seu quadro,/ cada um no seu quadro”.

    Para terminar, vou deixar a colunista que gosta de conversar miolo de pote, como diria Cid Augusto, assumir e dizer que, vacina que é bom, nada! Pelo visto, além de carnaval, vamos ficar sem São João de novo. E, para uma Assuense apaixonada por festejos juninos, isso é mesmo que arrancar uma tira de couro das costas.

  • Ano novo, minha gente!

    Embora não veja diferença entre números pares ou ímpares, 2021 é ímpar. Algumas pessoas nutrem nesses reinícios, novos sentimentos, novos projetos, novos rumos. Não discordo, mas gostaria de lembrar que as verdadeiras mudanças partem de nós mesmos. Então, se você acha que a vida precisa de mudança, não espere nem o virar deste minuto para agir.

    Mudando de pau pra cacete…

    A primeira semana do ano chegou tinindo, e eu começo os comentários pela revolta do presidente dos Estados Unidos, quase ex, Donald Trump, com a derrota nas eleições para o democrata Joe Biden. Inconformado com a escolha dos americanos – Você está demitido! –, o republicano usou as redes sociais para incentivar um ataque ao Capitólio, sede do Poder Legislativo naquele país, no dia em que Congresso homologaria a vitória do oponente. O fato causou uma confusão imensa, mas não impediu a certificação do resultado do processo eleitoral.

    Aproveitando o assunto, quero deixar registrado que, mesmo sendo considerado primeiro mundo, só agora, depois de 237 anos de República, o Tio Sam terá uma mulher ocupando o cargo de vice-presidente. Ela se chama Kamala Harris, negra, advogada, com estilo mega descolado e, segundo dizem, supercompetente.

    Harris chega a esse posto alimentando a esperança de que nós, mulheres, teremos algum dia o destaque merecido. Não a conheço, ela nunca saberá dos meus pensamentos e desejos para ela, mas torço para que o espaço que vai ocupar sirva para muitas outras coisas, principalmente incentivar as lutas femininas.

    Já no Brasil, temos o presidente Bolsonaro, que, embora vitorioso nas últimas eleições, questiona a lisura das apurações e continua a espalhar sandices e mediocridades por aí. O maluco insinuou que quem tomar vacina contra a Covid-19 pode virar jacaré, mas pediu o sigilo de sua carteira de vacinação por cem anos, alegando ser esse um assunto de cunho pessoal.

    Então, vou deixar a interpretação para a galera.

    Em contraponto, a ciência nacional, mesmo renegada, negligenciada e desacreditada a todo instante, produziu uma vacina com 78% de eficácia para casos leves e 100% para casos graves.

    E no último domingo, 17 de janeiro, ironicamente, a primeira pessoa foi vacinada nas terras tupiniquins. Sem dúvida, o maior sonho da humanidade, atualmente, é o fim da pandemia…

    Bom, pelo menos esse é o meu sonho e, como a coluna é minha, falo o que quero.
    Voltando aos surtos do presidente, Bolsonaro atacou o apresentador do Jornal Nacional, Wiliam Bonner, por reproduzir informações fornecidas pelo próprio governo relacionadas à suspensão da compra de seringas. Pra complementar, exige o retorno do voto na cédula de papel, sob pena de fazer pior que Donald Trump.
    Quanto às ameaças do presidente, essa, infelizmente, é a postura do homem que o brasileiro escolheu para ser chefe do Executivo. Só posso dizer que, por muito menos, Dilma Roussef sofreu impeachment.

    Despeço-me dizendo a vocês que, mesmo começando com mensagens motivacionais para depois entupir o texto com os problemas do mundo, acredito em dias melhores, até porque a vacina chegou e eu já tô com o “bumbum tam tam” esperando essa danada.

  • PAPANGU DE RAÇA OU VIRA-LATA?

    Em um dos nossos tantos encontros etílicos, chega-me Túlio Ratto com a proposta:
    — Galega, topa escrever uma coluna na Papangu?

    Confesso que no primeiro momento tomei um susto, porque eu só conhecia a Papangu pelas narrativas das reviravoltas provocadas no High Society mossoroense contadas por Túlio Ratto, Cid Augusto e companhia. Por isso, sei da responsabilidade que é falar mal ou elogiar pessoas e atitudes com a categoria papaguense. Mas, como me chamaram, atendi prontamente e disse:

    — Eis-me aqui!

    Passei algumas horas pensando sobre o que escrever nesta coluna e lembrei que, ao me convidar, o Ratto autorizou a falar sobre o que ou quem eu quiser, dizendo ele, ter advogado. Aproveitou inclusive para reforçar que, dependendo do que vier por aí, os trabalhos jurídicos vão bombar com a ressureição da revista mais polêmica do Estado.
    Voltando aos escritos, minha primeira saída foi procurar no dicionário o que significa oficialmente a palavra “papangu”: sujeito que come angu e meninos de máscara que ficam pelas ruas pedindo ajuda para seus blocos de carnaval. Esta, aliás, é uma tradição mossoroense. Todo ano tem papangu nos sinais de trânsito da cidade.

    Descobri então que sempre usei o termo da forma errada, já que disponho dessa palavra para descrever quase todas as pessoas – dependendo da entonação é que se sabe se a comparação com os mascarados de rua é boa ou ruim. Se bem que se olhar para minha cara, já se sabe o que eu quero dizer, porque geralmente a expressão acompanha o sentimento. Então, cheguei a duas conclusões. A primeira é que só é papangu de verdade aquele que tem pedigree emitido por Túlio Ratto e Ana Cadengue. A segunda é que se o cidadão não tem o selo oficial de papanguense nem é um daqueles meninos que andam nas ruas durante o carnaval, é um papangu sem raça, vira-lata mesmo, fazendo jus ao termo como sempre usei. E quero dizer que, a partir de agora, sou oficialmente uma papangu de raça, titularizada e muito orgulhosa de fazer parte deste time.