“Marminino”, o tempo “avôa”! Essa semana passou “marligêra” que rapidamente.
Mas antes de falar da sexta-feira propriamente dita, vale um pouco de história para entender a origem da frase que dá nome a este texto.
A expressão “tudo como dantes no quartel de Abrantes” surgiu em Portugal, durante as invasões napoleônicas do início do século XIX. Quando o general francês Jean Andoche Junot invadiu o país, instalou seu quartel na cidade de Abrantes e, como não encontrou resistência da Coroa Portuguesa — que já havia tomado o rumo do Brasil, o magote de frouxos! — nem qualquer reação popular, a situação permaneceu inalterada por um bom tempo.
Sem oposição do governo de Lisboa, o general francês manteve-se tranquilo em seu comando. A expressão passou, então, a simbolizar essa inércia: notícias sempre iguais, um país parado no lugar, um quartel que deveria estar em guerra, mas permanecia pacificado.
Hoje, usamos a frase para indicar justamente isso: que, apesar das expectativas, nada muda na prática.
Pois bem: as notícias da semana indicam que ainda não será nesta sexta-feira que tomarei minhas 10 (ou 100) geladas para comemorar a prisão — de verdade — do “Capiroto das Profundas”.
Embora a Primeira Turma do STF tenha decidido, no dia 7, rejeitar os recursos da defesa, o resultado só será homologado na sexta-feira, 14. E isso, infelizmente, não significa que a prisão aconteça nesse dia.
Ainda existem os tais “recursos infringentes” — que, claro, também serão rejeitados —, mas que exigem mais cinco dias para a homologação. Ou seja: muito provavelmente o “Capiroto” entrará dezembro ainda domiciliarmente preso, até porque sábados, domingos e feriados não contam na dança dos prazos regulamentares.
Mas tem nada, não. Eu sou paciente. E sempre haverá 10 (ou 100) geladíssimas à minha espera.
De toda sorte, ainda consegui “pinçar” algumas pérolas para ilustrar mais uma semana no país dos paradoxos.
PORQUE HOJE É SEXTA-FEIRA
1 – Da Série “Só tem filé” – Parte II
E não é que o “prefeito tiktoker” de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), dançou de vez? A Polícia Federal descobriu que o “influencer” municipal — famoso pelos vídeos cheios de filtros e dancinhas — era também o coreógrafo-chefe de um grupo criminoso que comandava um esquema de corrupção na saúde pública da cidade.
A revelação veio na segunda fase da Operação Copia e Cola — nome absolutamente apropriado. A PF achou indícios de contratos copiados, colados e superfaturados entre a prefeitura e empresas da área de saúde. Tudo, segundo o relatório, com o beneplácito do prefeito, apontado como o maior beneficiário das práticas fraudulentas.
O objetivo da operação é investigar fraudes em licitações e desvios de verbas públicas, com direito a intermediários, empresas de fachada e favorecimentos seletivos dignos de reality show político. Para a PF, o afastamento do “Manga Podre” é “de suma importância” para interromper as atividades criminosas.
Já a defesa recitou o mantra de sempre: investigação “nula”, “ilegal”, fruto de “perseguição política”. Jura ainda que o afastamento é “temerário” e promete o “pleno restabelecimento da verdade”.
Enquanto isso, Sorocaba fica sem dancinhas novas — e o vice-prefeito, Fernando Martins da Costa Neto (PSD), assume, embora também não pareça ser flor que se cheire.
2 – O show de horrores de Derrite
Enquanto o noticiário nacional se deleitava com as boas intenções ecológicas da COP30, o “Marmottento” presidente da Câmara resolveu aprontar mais uma das suas.
E, no embalo do caos, quem ressurge é o secretário (ou ex-secretário) de Segurança de “Tarcínico” de Freitas, Guilherme Derrite (PP-SP) — aquele deputado que trata segurança pública como se estivesse escrevendo o roteiro de um filme B.
Sob os auspícios de “Huuurrg Marmotta”, o capitão Derrite licenciou-se do cargo e voltou à Câmara como relator do PL Antifacção, apresentado pelo governo federal, após a chacina promovida pelo governador Cláudio Castro, que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro.
Em apenas cinco dias, Derrite apresentou quatro versões diferentes do projeto — cada uma mais atabalhoada que a anterior. Como bem resumiu Reinaldo Azevedo: “quem tem quatro propostas em cinco dias não tem nenhuma”.
É o truque clássico da extrema direita: transformar tragédias reais em palanque político e vender bravata como política pública. No fim, o show de horrores legislativo segue firme — e o Brasil, como sempre, paga o ingresso.
3 – “Neymar, vamos só jogar bola!”
Mais uma semana, mais um capítulo de “Eu, Neymar”. Depois de um chilique digno de novela mexicana na derrota para o Flamengo por 3 a 2, o “ex-craque” santista ganhou um puxão de orelha — não do clube (que preferiu “encerrar o caso” para evitar polêmica com o dono do time) — mas da torcida, que pendurou uma faixa até singela em frente ao CT do Santos: “Neymar, vamos só jogar bola!”
Direta, honesta e bem mais sensata que muito dirigente. O aviso ao eterno “menino da Vila” também soa como um pedido de socorro.
Se Neymar não jogar bola nessa reta final do Brasileirão, o Santos — “incaível” até 2023 — pode amargar seu segundo rebaixamento em três anos.
Sábado tem clássico contra o Palmeiras na Vila. Mais uma derrota e o Santos afunda de vez na zona da degola.
E se Neymar voltar a ser peça nula, a torcida pode aumentar a faixa e trocar a ternura por sinceridade: “Neymar, seu desgraçado e firulento imundo! Vai jogar bola, infeliz das ‘costa ôca’!”
CURTINHAS
• Álcool em baixa
A maioria dos brasileiros (64%) declarou não consumir álcool em 2025 — aumento expressivo de abstinência etílica em relação a 2023, quando 55% disseram não beber. A mudança se deve, principalmente, ao recuo entre jovens de 18 a 34 anos. É o que aponta pesquisa da Ipsos-Ipec a pedido do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool) para a sétima edição do estudo Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025.
Que coisa! Choquei! Vou até reduzir a previsão das cervejas para comemorar a prisão do “Capiroto das Profundas” para… 10 ou 20.
• O Tornado do PT?
Os terraplanistas adoradores de pneu agora juram que os três tornados no Paraná foram obra da ONU — ou, mais precisamente, de Lula — para justificar gastos da COP30 e “inventar” o aquecimento global. Segundo a teoria, o fenômeno “nunca registrado antes” em Rio Branco do Iguaçu teria sido “fabricado” para reconstruir o país dentro da tal Agenda 2030.
Valei-me meu “São Jesus Cristim”! Eu digo é valha!
• Uma história micro
Um documentário britânico afirma que nova análise do DNA de Adolf Hitler encontrou sinais de uma síndrome genética rara que poderia explicar um possível micropênis. A investigação, citada pelo Times of Israel, usou um tecido ensanguentado do sofá onde o ditador morreu para reconstruir seu perfil biológico. O resultado indicou alterações ligadas a um distúrbio hereditário que afeta o desenvolvimento sexual. Ou seja, em certos aspectos, parece que o homem era pequeno mesmo.
Atenção! Não estou sugerindo nada.
E assim seguimos, entre “recursos infringentes”, dancinhas investigadas, bravatas legislativas, teorias meteorológicas made in Zap e outras micro coisas. Tudo como dantes no quartel de Abrantes — onde o vento da mudança até sopra, mas o cata-vento da realidade insiste em permanecer inerte.

