Sobre

SAMBA & JAZZ

A bossa nova já é uma sexagenária e Garota de Ipanema, uma das canções mais representativas do gênero, junto com Desafinado e Chega de Saudade, completará 60 anos no mês de agosto e retomou a liderança na lista das dez músicas brasileiras com mais gravações. 

Polêmicas à parte, João Gilberto é considerado o inventor da bossa nova, criando uma maneira cool de cantar e tocar seu violão e incorporando elementos do jazz, provocando a maior revolução porque passou a nossa música dita popular.

O estilo criado por João Gilberto recebeu pesadas críticas, especialmente do estudioso e pesquisador José Ramos Tinhorão, que o acusava de haver americanizado nosso samba. O certo é que essa americanização abriu as portas do mundo para a música brasileira e hoje, é possível, que se toque mais bossa nova no Japão que no Brasil pois o que se toca em nosso país sequer pode ser classificado como música.  A delicadeza e o minimalismo da bossa nova conquistarem os orientais e temos que agradecer ao baiano de Juazeiro por sua descoberta. João Gilberto, na verdade, apenas descobriu os elementos do jazz contidos no samba pois afinal samba e jazz têm a mesma origem e incorporou dissonantes onde antes não havia.

Um documentário intitulado SAMBA & JAZZ, de 2014, explora o que existe de semelhança nos dois gêneros até no carnaval, partindo do pressuposto de que ambos foram criados por negros que tiveram raízes na África e os sentimentos que geraram as duas festas e os dois gêneros são os mesmos.

Jeffferson Mello, diretor do longa metragem foi a Nova Orleans para filmar o carnaval e entrevistar músicos e personagens que abriram o coração e as prateleiras da memória para que se pudesse entender duas realidades que têm muito em comum.

Participam do filme nomes famosos no Brasil como Alcione e Arlindo Cruz e a parte brasileira se concentra especialmente na escola de samba Império Serrano, com suas glórias e suas tristezas.

Em alguns momentos, mesmo assim, a trilha sonora até poderia ser trocada com o samba sendo ouvido em trechos gravados nos Estados Unidos e o jazz com o que foi gravado no Brasil mas o diretor não ousou cometer esta ousadia.

Escreveu Vinicius de Moraes quando ainda não era um famoso compositor que o negro africano pode no Brasil conservar a força e a autenticidade de seus ritmos, já nos Estados Unidos, sofreu o impacto do protestantismo e tiveram que adaptar seu ritmo aos hinos religiosos , resultando nos spirituals e souls de onde se originou o blues.

SAMBA & JAZZ recebeu diversos prêmios da crítica e em festivais de cinema, inclusive nos Estados Unidos e é exibido regularmente no CANAL BRASIL, que foi um dos produtores do documentário e também pode ser visto no YOUTUBE.

Jefferson Mello, o diretor do filme, é fotógrafo por profissão e já havia publicado um livro sobre o tema, com o título OS CAMINHOS DO JAZZ.

SAMBA & JAZZ, não é propriamente uma diversão mas uma aula sobre música e deve ser assistido por aqueles que ainda acham que música é cultura.

Escrito por Damião Nobre

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Carregando...

0

A Rotina

Em Cartaz: I love you, man