Sobre

Veni, vidi, vici

Duas pessoas confessavam entre si suas angustias do ano que pereceu, bem aqui, abaixo da soleira de minha janela. Entre rosários de lamúrias e desventuras, uma delas citou a decepção com o Bolsonaro. Quase gritei “cada um tem o Presidente que merece”, percebi não merecer.

Eu, por outro lado se fosse imprimir uma retrospectiva de 2020, fazia um command C, command V da “Veni, vidi, vici” – Vim, vi e venci — frase em latim, tatuada ao cônsul romano Júlio César em 47 a.C.. A qual estava em mensagem enviada ao senado romano anunciando sua vitória sobre Fárnaces II do Ponto na Batalha de Zela. Vencemos todos, somos vitoriosos sobreviventes. Certamente, menos aquelas famílias vítimas do feroz vírus e da incompetência da besta-fera bufônica.

Mas, devo confidenciar: se não fosse a saudade dos meus netos e filhos que corrói o coração causada pelo isolamento social decorrente deste virulento e maldosos vírus e tudo que o envolve, apesar de Bolsonaro, do ponto de vista profissional, o ano que abriu a década não foi tão ruim assim.

É verdade que havia agendamento do lançamento do livro 200 Caricaturas de Astros da Música Nacional e Internacional para julho, por força da pandemia fomos obrigados a transformar em um e-book, e ancorá-lo no www.blogdobrito.com.br/loja/, também tivemos que suspender a exposição virtual de caricaturas, para promover o livro e oportunizar amantes deste tipo de desenho e músicas terem esse contato, esta seria realizada no Cebo Balalaika — Natal/RN —, por motivos diferentes também não realizamos uma exposição virtual programada pela Secretária de Cultura da Prefeitura de Mossoró.

Foram alguns percalços que certamente, muitas outras pessoas também sofreram pela mesma motivação. Entretanto, participei de cinco festivais de cartuns, três no Brasil e dois na França: I Festival Internacional de Caricaturas e Cartuns — do Maciço de Baturité/CE, em homenagem ao grande cartunista cearense Mário Mendez; XII Salão de Humor — Humana Saúde/Medplan, entre os quase três mil participantes, com a caricatura do cantor Milton Nascimento fiquei entre os duzentos selecionados; 42º Prêmio Jornalístico Vlademir Herzorg, ganhei o prêmio coletivo na categoria Prêmio Destaque Vlademir Herzorg com Charge Continuada – Somos Todos Aroeira e na Exposição do “Pandemonium” Festival Internacional de Caricaturas e Cartuns de Saint Juste Le Martel(FR) e Marseille(FR), em palestra do ex-Presidente francês, François Hollande, sentou-se na frente de minha caricatura retratando presidente Bolsonaro, exposta logo acima de sua cabeça. Segundo o cartunista potiguar e o criador do Festival, Joe Bonfim, o registro fotográfico ilustrou os principais jornais franceses e europeus que estavam dando cobertura ao evento, então, não posso me queixar.

Ilustrei livros e caricaturei muita gente. Me desculpem os demais amigos, mas, desenhei um livro que certamente, pelo valor de sua importância histórica, fiquei bastante feliz em fazê-lo, foi o livro do poeta Caio César Muniz, no qual faz homenagem aos cem anos de Vingt-un Rosado.

Claro, que flores têm espinhos. Também tivemos alguns embates políticos desagradáveis e estéreis, perdemos amigos para Covid-19, arranjamos algumas malquerenças vãs, muitas destas, como dizia vovô – in memoriam – lá do jornal O Mossoroense, “sai na urina”. Porém, com muita esperança na vacina para poder abraçar meus netos e filhos, o impeachment do Boca de Esgoto, logo 2021 não poderá ser menos que 2020.

Direito
As convenções, regramentos, leis, protocolos são instrumentos civilizatórios, são linhas limites, freios aos nossos instintos primitivos. Quando estas linhas são ultrapassadas perdemos o respeito a estes instrumentos, nos tornamos bárbaros, selvagens e torturadores aonde impera a lei do mais forte. O grande sonho do Bufão Boca de Esgoto.

Culpa
Dizer que o povo, por motivos mil, anda ressabiado com a política e sua tríade que forma o poder democrático, isto seria chover no molhado. Entretanto, afirmar que este mesmo povo tem neste arcabouço uma boa parcela de culpa também seria verdadeiramente verdade, então logo, precisamos todos rejuvenescer. Uma “mea culpa” sincera, talvez, nos fizéssemos enxergar melhor o futuro.

Twitter
“Vacina sim, cloroquina não. Vacina sim, porte de arma não. Vacina sim, sem furar a fila, sem aglomerar, com máscara”, estava lá no Twitter do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, no 17 de fevereiro de 2021. Ora Carlitos, quem patrocina o contrário disto, é o seu apadrinhado, prefeito Álvaro Dias, entupindo UPAs com o kit do Bufão: Cloroquina e Ivermectina. Nem vem que não tem.

Armas
É notório a todos o sentimento de antipatia do Capitão Bufão, Boca de Esgoto, dedica a democracia e a vida humana. Haja vista seu comportamento diário ignorando todos os protocolos sanitários e suas falas. Se não bastasse, desnudado de qualquer sentimento cristão, publica decretos flexibilizando a compra de armas de fogo por pessoas comuns.
Enquanto o mundo implementa uma corrida contra o tempo, buscando maneiras para apressar o fim da pandemia e consequentemente salvar vidas, aqui a morte é louvada e o vírus desdenhado.

Armas II
Para muitos estes decretos, que a princípio têm o inocente objetivo de armar o “cidadão de bem” para que possa se defender da violência que permeia o país, na verdade, camufla a real intensão do Capitão, que seria de armar seus asseclas, que numa possível derrota em 2022 irão às ruas armados, talvez até invadir o Congresso Nacional e o STF. Para nortear e alicerçar a tese, existem inúmeras falas do Capitão, a um clique de qualquer cristão.

Batalhas
Há batalhas que não precisam acontecer, mas se travadas, não merecem ser vencidas e se ainda assim, vencidas forem, laureadas não serão, pois, nelas poucas ou quase nenhuma honra existem.

Caricatura
Caricatura da poetisa acariense, Jeanne Araújo, que ao lado de outros 99 escritores potiguares, também estará ilustrando as páginas de nosso próximo livro, programado para o final de 2021.

Brito – Cartunista

Escrito por Brito Silva

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