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O ÉBRIO LOUCO E A MÚSICA BREGA

O dia 5 de abril é marcado na história de nossa música pela perda de dois grandes nomes que nunca tiveram o reconhecimento devido, tendo sido parceiros na arte e na vida, Antônio Marcos e Vanusa.

Vivendo juntos se 1969 a 1975, os dois artistas tiveram duas filhas, Amanda e Aretha e a separação ocorreu em virtude de uma doença de Antônio Marcos, o alcoolismo. Em seu livro NINGUÉM É MULHER IMPUNEMENTE, a cantora relata que o parceiro acordava por volta das 10 da manhã, abria um litro de uísque e tomava pelo gargalo.

No dia 5 de abril de 1992, há exatos 30 anos, Antônio Marcos faleceu e exatos 38 anos depois, a mulher que o amou intensamente veio a falecer depois de uma doença terrível que a minou aos poucos e destruiu tudo o que ela havia construído em mais de 50 anos de carreira.

Tanto Antônio Marcos quanto Vanusa foram ignorados pela maior parte da crítica musical e rotulados de bregas, quando esta palavra não representa muita coisa pois a breguice é uma coisa muito relativa. Prefiro ordenar as canções entre as de bom gosto e de mau gosto, embora esta classificação também possa ser contestada.

Antônio Marcos obteve seus maiores sucessos com músicas românticas rotuladas de bregas como Menina de trança, O homem de Nazareth e Porque chora a tarde, mas deixou composições do nível de Como vai você, grande sucesso na voz de Roberto Carlos e enveredou por uma poesia mais elaborada como em Registro Geral, Dom Quixote, Sombras num quarto de Londres, mas a crítica fez ouvido de mercador. Foi parceiro de Fagner em Coração Americano, gravou Fracassos e Todo sujo de batom, mas não recebeu uma palavra de reconhecimento no seu flerte com o que chamamos de música popular brasileira.

É possível que a frustração com a falta de reconhecimento como um grande artista tenha influído em seu comportamento e em sua doença, embora consta que tenha começado a beber aos 12 anos de idade.

Antônio Marcos entrou na vida artística como ator, fez parte do grupo musical OS IGUAIS, mas logo iniciou sua carreira solo explodindo com a canção Tenho um amor melhor que o seu, de autoria de Roberto Carlos.

Além de Vanusa e da atriz Débora Duarte, com quem teve a filha Paloma, teve um relacionamento com Ana Paula Braga, enteada de Robert Carlos.

No dia 5 de abril de 1992, dirigindo embriagado, bateu sua caminhonete em um poste, teve violento traumatismo torácico e não resistiu.

Morto, Antônio Marcos passou a desfrutar de um prestígio que não teve em vida. O descobridor de raridades Marcelo Fróes relançou a maioria de suas gravações em duas caixas e o crítico musical Mauro Ferreira reconheceu o talento do cantor e compositor. Suas composições têm sido regravadas repetidamente. Daniela Mercury gravou Como vai você e Paulo Ricardo gravou E não vou mais deixar você tão só. Foi, no entanto, com Nando Reis que Antônio Marcos praticamente virou cult quando da gravação de Você pediu e eu já vou daqui, em 2004, no disco ao vivo Nando Reis e os Infernais, feito para a MTV. A canção é hoje cantada com entusiasmo e paixão por jovens que nem haviam nascido quando seu autor faleceu.

Mas, afinal, o que é música brega? Quando Caetano Veloso, Adriana Calcanhoto ou Rita Ribeiro gravam Fernando Mendes, Renato Barros ou Márcio Greyck a canção deixa de ser brega? Certo é que nesta situação ela recebe um arranjo mais sofisticado e elitizado, mas o tema permanece.  E ainda. Há canções de artistas de elite que são tipicamente bregas, como Veja bem meu bem, de Marcelo Camelo, gravada por Ney Matogrosso e Ainda bem, composição de Marisa Monte e Arnaldo Antunes, gravada pela cantora.

Escrito por Damião Nobre

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